09.09.08
A importância da agência regionalizada
Matéria veiculada pelo Jornal do Commercio após o lançamento do terceiro filme de Indiana
Jones mostra que, mesmo sendo sucesso de bilheteria no mundo, o filme, com parte filmada no Peru, desagradou o público daquele país latino-americano.
O motivo foi a falta de informações sobre o local, falta de informações histórico-culturais, incluindo a inserção de música mexicana num filme com trechos rodados no Peru, sem passagem pelo México.
Trazendo à nossa realidade, o que se pode concluir dessa história é que, apesar dos milhões investidos em pesquisa para realização do filme, quando um produto é dirigido a um determinado público, se ele não for trabalhado por quem realmente conhece a cultura e o costume daquele local, o cliente pode incorrer em erros que poderiam ser facilmente evitados.
Produtos bem desenvolvidos em outros mercados quando lançados numa região diferente, por mais que sejam realizadas pesquisas, podem estar envolvidos em sucessivos erros. Por isso, grandes empresas muitas vezes preferem agências situadas regionalmente quando o foco de atuação é regional.
Leiam a matéria abaixo, publicada no Jornal do Commercio.
Rita Andrade
Atendimento LCM Comunicação
Público e especialistas criticam os erros no novo filme da aventura de Steven Spielberg. Quarto episódio já faturou mais de US$ 313 milhões | Agência France Presse.
A última aventura do herói Indiana Jones, que já está batendo recordes de bilheteria no mundo – foi lançado em 8.427 salas em 55 países e já arrecadou mais de US$ 313 milhões de dólares – gerou mal-estar no Peru, onde se passa o filme, devido a erros tão grosseiros. Espectadores de Indiana Jones e o reino da caveira de cristal, por exemplo, se surpreendem quando se diz no filme que Pancho Villa, herói da Revolução Mexicana, e seus amigos falavam quéchua, o idioma dos antigos peruanos. “É uma barbaridade”, disse o diretor da Biblioteca Nacional do Peru, Hugo Neyra.
Na saída das salas, os cinéfilos peruanos expressam sua indignação com a trilha sonora. As aventuras de Indiana se passam no Peru, mas a música é, estranhamente, típica do México. Soma-se a isso o fato de que existam guerreiros maias falando quéchua, em plena selva peruana, região supostamente cercada de areia movediça, com insaciáveis formigas que devoram humanos, e enormes cataratas que, na verdade, estão no Havaí. Para completar a seqüência de absurdos, a pirâmide de Chichen Itzá (no México), na telona aparece no meio da Amazônia peruana.
O historiador Manuel Burga, ex-reitor da Universidade de San Marcos, a mais antiga da América, comentou que, embora se trate de um filme de ficção, faltou assessoria ao criadores do personagem, Steven Spielberg e George Lucas. “Há muitos dados incorretos, embora seja uma ficção. Isso será prejudicial para muita gente que não conhece o nosso país. Não é possível que se confunda a Amazônia com a selva de Yucatán, no México”, reclamou Burga.
Para Hugo Neyra, muitos americanos e europeus, medianamente informados, vão se dar conta de que é “uma aberração” misturar as culturas maia e inca. “Eles sabem que Machu Picchu fica em Cuzco e Chichen Itzá, no México”, disse.
O historiador Teodoro Hampe comentou que, no imaginário do americano comum, há um esquema, segundo o qual tudo que está além das fronteiras para o sul é a mesma coisa. “Para eles, dá no mesmo: México, Guatemala, Bolívia, ou Peru”, completou. Assim cidade de Nasca, na costa sul do Peru, aparece, no filme, em Cuzco, nos Andes do sul peruano. A trama insiste ainda em uma idéia bastante difundida no exterior e rejeitada pela comunidade científica internacional de que a civilização andina é produto da visita de extraterrestres e no filme um disco voador emerge das profundezas de um palácio de ouro.
Publicado em 30.05.2008 no Jornal do Commercio
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